terça-feira, setembro 14, 2010

Contos do Morceguinho 1

SACAROSE E A FORMIGA

            Num belo dia de sol, Sacarose decide procurar algo para comer. De preferência balas e doces, é lógico. Porém ele estava com um problema: havia começado uma dieta para perder peso. Só que parecia que não acabava nunca.
            Então Sacarose voou, voou, voou e sentiu a brisa no nariz enquanto ia acalmando sua ansiedade pelas guloseimas.
            Alguns minutos de vôo e ele decide parar para descansar. No instante seguinte uma formiga se aproxima dele com um enorme pedaço de bolo nas mãos. Olha para um lado e para o outro e abocanha tudo de uma só vez. Vendo aquilo Sacarose pergunta a ela:
            —Ei, amiguinha! Tudo bem?
            —Tudo coleguinha!
            Curioso a formiguinha olha para Sacarose e decide fazer amizade:
            —Você é novo por aqui?
            —Acabei de chegar!
            —Você veio de muito longe?
            —Ahhh! Sei lá! Fui voando por aí e parei aqui. É que eu estou procurando alguma coisa pra comer, sabe?
            —Ah, é?
            —Sim!
            —Que legal! Então é melhor você me seguir, pois tenho uma coisa pra te mostrar.
            —Que coisa?
            —Ah! Deixa de ser curioso e vamos logo.
            Então os novos amigos seguem para uma longa caminhada.
            Depois de algum tempo eles chegam a um lugar aberto e arejado. Logo a frente era possível ver uma árvore e embaixo dela uma toalha estendida com um belo piquenique. Eram guloseimas de todos os tipos. Aquilo foi enchendo a boca de Sacarose de água.
            Então ele perguntou:
            —Por que você me trouxe aqui?
            —Ora, bolas! Você não está com fome?
            —Sim!
            —Então! Aí está o banquete. E olha que tem muito mais. É que minhas amigas formigas estão trabalhando nisso. Daqui a pouco isso vai estar cheio. Então é melhor você comer logo senão não vai sobrar nadinha.
            Com a boca cheia de água e não resistindo à tentação, Sacarose abocanha metade do bolo e engole de uma só vez uma travessa de docinhos.
            A formiga se espanta com a agilidade alimentar do morceguinho e pergunta:
            —Ei! Onde você aprendeu a fazer isso?
            —Isso o quê?
            —Comer desse jeito. Você parece mais um leão do que um morcego...
            —Desculpe, amiguinho! Mas não pude resistir. É que estou de regime e há muito tempo não via uma lanchinho tão gostoso.
            —Tudo bem! Mas não custa nada deixar um pouco pra gente também, né?
            —Está bem! Desculpe!
            O tempo foi passando e em poucas horas Sacarose começou a fazer amizade com as formiguinhas. Falou de suas aventuras e bagunças também. Elas riram muito e estavam cada vez mais curiosas em ouvir as histórias do curioso morceguinho azul.
            De repente algo acontece. A barriga de Sacarose começou a fazer uns sons estranhos. As formigas ficam espantadas e perguntam:
            —Que barulho é esse?
            —É minha barriga! —disse Sacarose— Estou com uma baita diarréia. Acho que comi doces demais. Por acaso vocês sabem onde fica o banheiro?
            As formigas começam a rir e uma delas diz:
            —Você está no bosque, Sacarose! Aqui não tem isso não. Acho que é melhor você ir atrás de alguma árvore, mesmo.
            Morrendo de vergonha Sacarose voa para a primeira árvore que vê e faz o seu cocô. Quer dizer, seu cocô mole.
Enquanto as formigas se divertiam rindo daquela situação, Sacarose pensava:
            “—Ai, meu Deus! Por que fui sair da minha dieta? Tinha que sobrar pra mim, mesmo!”
            Então as formigas comeram, conversaram e brincaram até o fim da tardinha. Pena que Sacarose não pôde aproveitar. Afinal, quem mandou ele comer muita porcaria?


Fernando Magaldi
13 e 14 de setembro de 2010

2 comentários:

w h stutz disse...

Caro Magaldi
Agradável surpresa conhecer o Sacarose. Raro aqueles que tem a sensibilidade de debruçar olhar do bem sobre nossos morcegos.
Talvez você não imagine a importância de sua criação para a preservação de tão importante animal, geralmente ignorantemente associado à malvadeza e destruição. Que o Sacarose vingue e dê frutos (doces é claro).
Bem-vindo ao grupo dos artistas que nos ajudam a defender os morcegos. Conheceu os trabalhos exclusivos que enviaram para nosso Projeto Morcego Livre? Passa lá , só tem fera http://www.morcegolivre.vet.br/galeria.html
Abraço
William H Stutz

FERNANDO MAGALDI disse...

Obrigado, Willian! Você não tem idéia de como é importante para mim um elogio seu, pois admiro seu trabalho no "Morcego Livre" que venho seguindo sempre. Continue assim e obrigado por defender nossos amiguinhos voadores.
Um abraço e volte sempre!